Quinta: 06/08/2026
Por: Tainá Sena/Canarinhos
Deixando as disputas de lado em nome de uma causa maior, torcedores dos dois maiores clubes do Estado se reuniram na capital baiana para transformar a paixão pelo futebol em uma ferramenta de transformação social. O evento LGBT+Esporte, realizado na Arena Real Brasil (localizada no Shopping da Bahia), reuniu mais de 100 participantes entre ativistas, praticantes, torcedores e representantes políticos, estabelecendo um importante marco na luta contra o preconceito e pela democratização dos espaços esportivos locais.

A iniciativa foi encabeçada de forma conjunta pela Orgulho Rubro-Negro (ORN) torcida organizada LGBTQ+ do Esporte Clube Vitória em parceria com a LGBTricolor, torcida do Esporte Clube Bahia que já havia idealizado a primeira edição do encontro em 2024. O evento atual contou ainda com a parceria fundamental de times independentes da cidade, como o Tietas FC e o Dendê FC.
Construção coletiva e propostas contra a discriminação
O objetivo central do fórum foi ir além das conversas institucionais e construir, de forma participativa, uma agenda de diretrizes e políticas públicas focada na garantia de direitos, proteção e acolhimento para a comunidade LGBTQ+ nos estádios, quadras e arenas da Bahia.
Durante os debates, os grupos organizadores compartilharam suas histórias de resistência, detalharam o funcionamento de seus projetos que dependem essencialmente da força comunitária e do financiamento próprio para existir e abordaram os obstáculos recorrentes enfrentados pela comunidade ao tentar acessar ambientes esportivos com segurança.
O público geral também teve voz ativa, contribuindo com relatos pessoais e sugestões práticas que serão sintetizadas pelos coletivos para embasar futuras cobranças e ações coordenadas perante autoridades e instituições esportivas.
De acordo com Jener Mendes, diretor da Orgulho Rubro-Negro, a expressiva adesão em pleno meio de semana comprova a urgência da pauta:
“Mais de cem pessoas atravessaram a cidade numa terça à noite para falar de esporte. Isso já responde qualquer dúvida sobre se existe demanda. Saímos daqui com proposta na mão e com a certeza de que essa articulação não termina hoje.”
O ápice do evento: “Baba” e baleado em clima de união
Para selar o encontro, a teoria deu lugar à prática em um tom de celebração e fraternidade. Os participantes ocuparam a quadra da arena para disputar partidas amistosas de futebol (o tradicional “baba” baiano) e baleado.
Em uma imagem simbólica e potente, tricolores e rubro-negros atuaram lado a lado nas mesmas equipes, desconstruindo a rivalidade histórica do clássico Ba-Vi e mostrando que o respeito, a convivência pacífica e a diversidade devem sempre estar acima do placar. A ação serviu como um recado claro de que o esporte baiano pode e deve ser um território seguro, inclusivo e livre de LGBTfobia para todas as pessoas.








