Sexta: 18/09/2026
Por: Tainá Sena/Canarinhos
Episódio aconteceu na saída do gramado da Arena Fonte Nova, em Salvador, após a vitória do Corinthians por 1 a 0 sobre o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro Feminino
As jogadoras do Corinthians foram alvo de ataques de cunho lesbofóbico após a partida contra o Bahia, realizada na noite da última terça-feira (15), na Arena Fonte Nova, em Salvador. O confronto era válido pela semifinal do Campeonato Brasileiro Feminino e terminou com vitória do Corinthians por 1 a 0, com gol de Jhonson.

Segundo o Corinthians, os ataques aconteceram durante a saída das atletas do gramado, após o encerramento da partida. O clube informou que alguns torcedores do Bahia fizeram manifestações de cunho lesbofóbico direcionadas às jogadoras.
O episódio foi posteriormente repudiado por diferentes entidades e grupos ligados ao futebol e à defesa da diversidade.
Corinthians repudia os ataques
Na quarta-feira (16), o Corinthians publicou uma nota oficial condenando o episódio. O clube classificou as manifestações como inadmissíveis e afirmou que não tolera qualquer forma de lgbtfobia, dentro ou fora dos estádios.
O Corinthians também declarou solidariedade às atletas e pediu que o caso seja devidamente apurado, com a responsabilização dos envolvidos pelas autoridades competentes.
Em seu posicionamento, o clube reforçou o compromisso com o respeito, a diversidade e a construção de um ambiente esportivo mais inclusivo.
Federação Paulista de Futebol também se manifesta
A entidade lamentou e repudiou os atos de lesbofobia relatados contra as atletas corintianas após a partida contra o Bahia e reafirmou seu compromisso com o combate à lesbofobia e a qualquer forma de discriminação.
A FPF destacou ainda que o futebol deve ser um ambiente de respeito, inclusão e segurança para todos, dentro e fora de campo.
A posição da federação ocorre em um contexto no qual a própria FPF possui protocolos específicos para casos de discriminação no futebol paulista. O Tratado pela Diversidade e Contra a Intolerância da entidade prevê procedimentos para acolhimento da vítima, coleta de informações e provas e encaminhamento de denúncias aos órgãos responsáveis pela apuração esportiva.
LGBTricolor repudia o episódio
A LGBTricolor, torcida LGBTQIA+ ligada ao Esporte Clube Bahia, também se posicionou contra o episódio por meio de suas redes sociais.
O grupo atua no combate à LGBTfobia no futebol e mantém atuação voltada ao monitoramento e à denúncia de casos de preconceito nos estádios.
A atuação da torcida inclui o acompanhamento de ocorrências de LGBTfobia e o encaminhamento de denúncias às autoridades e à Justiça Desportiva.
Caso aconteceu após uma partida histórica para o futebol feminino baiano
Além da importância esportiva da partida, o confronto entre Bahia e Corinthians registrou um dos maiores públicos em um jogo de futebol feminino na Bahia. O borderô apontou 5.811 torcedores presentes, sendo 5.578 pagantes.
Dentro de campo, o Corinthians venceu por 1 a 0, com gol de Jhonson, e abriu vantagem na disputa por uma vaga na final do Campeonato Brasileiro Feminino.
O episódio de lesbofobia ocorreu em uma noite que também teve outros registros de violência envolvendo torcedores. Segundo informações divulgadas pelo Lance!, cerca de três torcedores do Corinthians foram agredidos durante a saída dos visitantes do estádio. A Polícia Militar da Bahia informou que foi acionada para atender uma ocorrência de tumulto nas proximidades da praça esportiva, e o Samu prestou atendimento a uma das vítimas.
O que acontece agora?
Até o momento, as manifestações públicas confirmadas incluem o repúdio oficial do Corinthians e da Federação Paulista de Futebol, além do posicionamento da LGBTricolor.
O Corinthians solicitou que o episódio envolvendo suas atletas seja apurado e que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados pelas autoridades competentes.
A FPF, por sua vez, reafirmou publicamente seu compromisso com o combate à lgbtfobia e à discriminação. Seus regulamentos também estabelecem mecanismos para o encaminhamento de ocorrências dessa natureza aos órgãos competentes da Justiça Desportiva.
O caso reacende a discussão sobre a presença da lgbtfobia nos estádios brasileiros e sobre a necessidade de mecanismos efetivos para que atletas e torcedores possam frequentar esses espaços com segurança, respeito e liberdade.








