A classificação do São Paulo à final do Campeonato Brasileiro Feminino Sub-20 foi acompanhada por uma denúncia de misoginia durante a semifinal disputada na Fonte Luminosa, em Araraquara. Em campo, a Ferroviária lutou até os minutos finais, porém foi derrotada pelo Tricolor por 4 a 2 no jogo de volta da semifinal. As Guerreirinhas Grenás haviam vencido a primeira partida por 2 a 1, mas o clube paulista reverteu a desvantagem e avançou à final com 5 a 4 no placar agregado.

Infelizmente, o desfecho da partida ficou marcado por uma acusação feita pela zagueira Sarah Aysha, atleta do São Paulo, que denunciou ter sido alvo de ofensas misóginas atribuídas a um integrante da equipe de apoio da Ferroviária. O caso mobilizou arbitragem, clubes, federação e torcedores, reacendendo o debate sobre misoginia no esporte, ambiente frequentemente apontado por atletas um espaço ainda marcado por preconceitos e violência verbal contra mulheres.
Jogadora denuncia ofensas e protocolo é acionado
Segundo o relato da atleta são-paulina, a situação ocorreu nos minutos finais da partida, após ela receber atendimento médico e deixar o gramado de maca. Sarah afirmou ter sido chamada pelo maqueiro da Ferroviária de “biscate”. Diante da denúncia, a árbitra Talita Ximenes de Freitas acionou o protocolo antidiscriminação, mecanismo utilizado em situações envolvendo preconceito ou violência verbal em competições esportivas.
Embora popularmente associado ao combate ao racismo, o protocolo não se restringe a ataques raciais. Ele pode ser aplicado em casos de misoginia, homofobia, xenofobia e outras formas de discriminação ou preconceito sofridos por atletas e profissionais do esporte.
Mesmo abalada emocionalmente, a defensora confirmou à arbitragem ter condições de continuar na partida. Antes de retornar ao gramado, no entanto, acabou chorando no banco de reservas e chegou a passar mal. Em forte desabafo após o episódio, a jogadora expôs a indignação com o ocorrido.
“É inadmissível. A gente está em uma categoria de base, para aprender sobre futebol e num momento daquele o cara me mandar tomar no c e me chamar de biscate, é inadmissível. É a única coisa que eu falo.”
“A gente tá aqui para aprender depois de passar o ano inteiro treinando, longe da família para chegar um cara desses e me xingar fora de campo?”
Em lágrimas, Sarah também destacou o esforço exigido das atletas da base.
Após a confusão, o maqueiro apontado na denúncia foi retirado do campo para que a partida pudesse prosseguir.
São Paulo cobra responsabilização e apoio à atleta
Após a partida, o São Paulo Futebol Clube divulgou nota oficial lamentando o ocorrido. Segundo o clube, a arbitragem acionou o protocolo após a atleta sofrer um “episódio de misoginia” vindo de um integrante do quadro móvel da equipe mandante. Na manifestação pública, o Tricolor reforçou posicionamento de intolerância a práticas discriminatórias.
“O São Paulo FC reforça que não tolera nenhum tipo de preconceito e aguarda que as autoridades cumpram com sua responsabilidade para que a justiça seja feita.”
O clube também informou que dará suporte integral à jogadora. “O São Paulo FC também informa que prestará todo suporte necessário à atleta, que muito nos orgulha de ter no elenco, vestindo nossa camisa.”
Ferroviária pede desculpas e anuncia apuração interna
As Guerreiras Grenás também se posicionaram oficialmente sobre o episódio. Em nota, a Ferroviária repudiou a conduta atribuída ao integrante da equipe de apoio e afirmou que o comportamento registrado “não representa os valores da instituição”.
O clube pediu desculpas à atleta, ao São Paulo, à comissão técnica e ao elenco tricolor.
“Nenhuma circunstância justifica agressões verbais, especialmente em um ambiente que deve promover convivência, educação e respeito entre atletas, profissionais e equipes.”
A equipe de Araraquara informou ainda que o caso será apurado internamente e que medidas cabíveis serão adotadas. A nota reforçou compromisso institucional com um futebol feminino mais seguro e respeitoso, além de reafirmar que “atitudes ofensivas, discriminatórias ou desrespeitosas não serão toleradas”.
Mesmo em meio à crise, a Ferroviária também parabenizou o São Paulo pela classificação à final do Brasileiro Sub-20.








