Quinta, 21/06/2026
Por: Tainá Sena/Canarinhos
No último dia 17 de maio de 2026, o futebol brasileiro perdeu mais uma oportunidade de demonstrar um compromisso real e coletivo com a inclusão e o respeito. O balanço das publicações institucionais no Dia Internacional de Combate à LGBTfobia revelou um cenário de profunda omissão por parte das principais equipes do país, evidenciando o quanto a pauta da diversidade ainda é tratada com negligência nos bastidores das grandes ligas.
Na Série A, a divisão de elite que concentra os maiores orçamentos e as maiores audiências do país, apenas 5 clubes se deram ao trabalho de postar uma mensagem de conscientização em suas redes sociais. A esmagadora maioria preferiu o silêncio, ignorando uma data internacional de extrema relevância para milhões de torcedores. Foram eles Flamengo, Corinthians, Athletico PR, Fluminense e Cruzeiro.

O cenário consegue ser ainda mais desolador na Série B, onde apenas 3 times manifestaram apoio à causa. O número irrisório reforça a percepção de que o combate ao preconceito no futebol ainda é visto por muitos dirigentes como algo descartável ou secundário. Foram eles o Ceara, Fortaleza e Náutico.
O reflexo mais nítido de como a data foi tratada com burocracia ou esquecimento veio do Esporte Clube Bahia. Conhecido historicamente por sua vanguarda em campanhas sociais e de direitos humanos, o clube baiano desta vez falhou no tempo de reação: a manifestação sobre a data só aconteceu hoje, quatro dias após o dia 17. A publicação tardia de um clube que costuma liderar esse tipo de debate, e possui o primeiro presidente de um clube de serie A assumidamente gay, acende um alerta incômodo: se até as referências em engajamento mostram sinais de desatenção com o calendário da diversidade, o restante do cenário nacional flerta com o total descaso.
Pela primeira vez na série histórica acompanhada pela Canarinhos, registrou-se uma queda expressiva e preocupante no número de clubes do futebol brasileiro que se posicionaram publicamente em favor da diversidade e da inclusão LGBTQIA+. Embora a expectativa se volte para o dia 28, data em que se celebra o Dia do Orgulho LGBTQ+, a redução momentânea acende um alerta sobre o recuo do debate nas instituições esportivas. O cenário levanta um questionamento ainda mais profundo: se a manifestação institucional por meio de publicações oficiais já enfrenta tamanha resistência, a viabilidade de ações estruturais mais robustas, voltadas para a inclusão e o acolhimento de pessoas LGBTQ+ nos demais setores e no cotidiano dos clubes, torna-se um desafio ainda mais distante de ser superado.
Os dados de 2026 servem como um lembrete desconfortável de que, apesar dos discursos modernos sobre responsabilidade social, as ações dos clubes brasileiros contra a LGBTfobia continuam sendo raras exceções e o preconceito, velado ou explícito, segue vencendo pelo cansaço e pela indiferença de quem deveria liderar a mudança.








