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O culto a misoginia, transfobia e homofobia nas arquibancadas

  • Geral
  • março 6, 2026

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O que as recentes imagens envolvendo torcedores do Sport Club do Recife revelam não é uma brincadeira inocente ou provocação comum, mas a exposição visceral de corpos femininos e dissidentes. Sob o pretexto de “torcida raiz”, homens cisgêneros estão utilizando as redes sociais para desfilar um catálogo de atrocidades simbólicas que flertam abertamente com o crime.

As imagens transcendem o mau gosto. Ao exibir uma boneca com o rosto ensanguentado e, posteriormente, apresentá-la completamente amordaçada e envolta em sacos plásticos pretos, dando a entender uma “desova de corpo”, esses indivíduos não estão provocando um time; eles estão incentivando a estatística do feminicídio.

Em um país com índices alarmantes de violência doméstica, abusos e feminicídio, a encenação de tortura contra uma figura feminina é uma mensagem direta de poder e dominação. É a crueldade sendo ensinada e aplaudida em praça pública.

A naturalidade com que esses agressores expõem seus rostos é o sintoma mais grave de uma justiça seletiva. Eles operam a partir de um bunker de privilégios, onde a masculinidade tóxica serve como salvo-conduto. O deboche explícito sobre “serem cancelados” revela que, para eles, o trauma alheio é apenas um meme, e a lei, uma sugestão irrelevante.

“Será que seremos cancelados mais uma vez?”

A pergunta não é um receio, é um desafio às instituições. É a certeza de que o pacto da masculinidade no futebol os protegerá sempre.

Não satisfeitos com a apologia a violência contra mulheres, o grupo avança para a desumanização trans. Ao sugerir a criação de uma “boneca trans”. A transfobia aqui é usada como a “arma final” de humilhação.

Não há mais espaço para notas de repúdio genéricas. O que vemos nas fotos é a materialização do ódio. Quando um torcedor utiliza a imagem de um corpo feminino amarrado e torturado para “provocar” seu rival, ele deixa de ser torcedor e passa a ser um apologista.

Enquanto a justiça e os clubes permitirem que o futebol seja um território de exceção para o crime de ódio, o sangue simbólico dessas imagens continuará a alimentar o sangue real que escorre nas estatísticas de feminicídio e transfobia no Brasil.

Texto: Tainá Sena/Canarinhos

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