Izak Rankine, atacante do time de futebol americano Adelaide Crows, tornou-se o sexto atleta da liga australiana a ser suspenso em um intervalo de pouco mais de um ano por dizer uma ofensa homofóbica a um adversário durante uma partida que aconteceu no sábado (16).
Punido com quatro jogos de gancho, Rankine corre o risco de ficar de fora da final da temporada e de perder a chance de conquistar sua primeira medalha como campeão. Sua ausência representa um golpe significativo para o Crows, líder da tabela, que busca encerrar um jejum de 27 anos sem título.

Contudo, os impactos vão além das quatro linhas. A reincidência de episódios como esse compromete os esforços da AFL (Liga Australiana de Futebol) em promover um ambiente inclusivo em um esporte onde, historicamente, nenhum jogador da elite masculina se declarou publicamente gay ou bissexual em mais de 100 anos de história.
Para o cientista comportamental Erik Denison, da Universidade Monash, esse tipo de linguagem envia uma mensagem clara de exclusão. “Quando esses termos são usados no ambiente esportivo masculino, cria-se uma cultura homofóbica, como se pessoas gays não fossem bem-vindas ali”, afirmou Denison à agência “Reuters”. “Isso contribui para que jovens atletas passem por situações difíceis e não se sintam seguros para relatar”, completou.
O caso de Rankine ocorre menos de dois meses após Jack Graham, do West Coast, também receber uma suspensão de quatro jogos por comentário homofóbico. Já Lance Collard, do Saint Kilda, recebeu a pena mais severa até agora: seis jogos de suspensão, em 2024.
A suspensão de Rankine gerou intensos debates entre ex-jogadores, comentaristas, treinadores e defensores dos direitos LGBTQIA+. Segundo a AFL, o jogador quase foi suspenso por cinco jogos, mas um parecer médico “contundente”, cujo conteúdo não foi revelado, reduziu a pena para quatro partidas.
Com isso, ainda existe a possibilidade de Rankine retornar a tempo da final, caso o Adelaide perca sua primeira partida nos playoffs, mas vença as duas seguintes.
Damien Hardwick, técnico tricampeão e atualmente no comando do Gold Coast Suns, condenou o uso de linguagem homofóbica, mas questionou a proporcionalidade da punição. “Um jogador pode dar um soco no queixo de alguém e levar cinco jogos. E, por um insulto que é inaceitável e não deve ocorrer em campo a punição pode ser similar”, disse ele para o portal “Fox Footy”.
Apesar das punições, o uso de linguagem homofóbica continua generalizado nas camadas mais baixas do esporte. “Nossas pesquisas mostram que cerca de metade dos adolescentes do sexo masculino, especialmente em esportes dominados por homens como a AFL e o rúgbi, usam esse tipo de linguagem com frequência”, destacou Denison. “Não é algo raro ou dito apenas no calor do momento. Virou parte do vocabulário cotidiano nesses ambientes.”
Mesmo fora de campo, a suspensão de Rankine deve continuar sendo assunto ao longo da campanha do Crows nos playoffs.
“A verdade é que um único caso de linguagem homofóbica já seria demais”, afirmou Stephen Meade, conselheiro geral da AFL. “O fato de termos tido vários neste ano mostra que ainda há muito a ser feito e estamos comprometidos com essa mudança.”
Fonte: Jogador de futebol americano é banido por insultos homofóbicos; entenda | CNN Brasil