Terça: 20/10/2026 Por: Tainá Sena/Canarinhos
O Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+ lançará oficialmente a 5ª Edição do Anuário do Observatório da LGBTfobia no Futebol (com dados referentes a 2025). O evento de lançamento ocorre no dia 24 de outubro de 2026, no âmbito do Encontro Presencial da Rede Memória do Esporte, promovido pelo Museu do Futebol, em São Paulo.

Como antecipação do debate público, o Coletivo promoveu no dia 4 de setembro de 2026, na FACOM/UFBA em Salvador, o II Seminário Baiano de Combate à LGBTfobia e Discriminações no Futebol e Esportes. Inserido na programação oficial da Semana da Diversidade de Salvador, o evento apresentou dados prévios da edição de 2025 e trouxe discussões essenciais sobre políticas públicas, acolhimento e memória das torcidas LGBTQ+ nas arquibancadas.
Desenvolvido de forma contínua pelo Coletivo, o novo anuário traz um panorama abrangente de seis anos de monitoramento das ocorrências de LGBTfobia no esporte brasileiro. O relatório completo, contendo todos os recortes estatísticos, análises detalhadas sobre perfis de vítimas, reincidências de clubes, desdobramentos na justiça desportiva e estudos especiais (como o comportamento na Copinha e o engajamento institucional das equipes), será disponibilizado na íntegra ao público logo após o lançamento oficial.
O levantamento reafirma a resiliência e a autonomia do Coletivo na vigilância dos direitos humanos nos estádios. A nova edição examina a evolução dos casos registrados ao longo dos últimos anos, os principais palcos das ocorrências e a resposta dos tribunais esportivos frente às denúncias mapeadas pela plataforma.
Em 2025, o Observatório catalogou 62 episódios de LGBTfobia. O número aponta uma retração contínua pelo segundo ano consecutivo, em 2024 foram 66 casos, após um pico de 78 registros em 2023, o que sinaliza um efeito preventivo das normas disciplinares e da visibilidade dada ao tema. No acumulado histórico de seis anos, a plataforma já mapeou 342 casos.
Entre os dados alarmantes de 2025, o estudo aponta que os estádios continuam sendo o principal palco da violência, concentrando 72,58% das ocorrências (45 casos), seguidos pelos meios de comunicação, com 22,58% (14 casos). No que tange à autoria, as torcidas responderam por 80,65% dos episódios (50 casos).
Uma mudança expressiva na dinâmica das ocorrências em 2025 foi o perfil dos alvos: o elenco de atletas tornou-se o grupo mais atingido, somando 43,55% dos casos (27 ocorrências), superando as torcidas (35,48%) e a arbitragem (11,29%). No ranking histórico de reincidência de clubes entre 2020 e 2025, destacam-se Corinthians (21), Flamengo (18), Palmeiras (16), Atlético-MG (15) e Ceará (14).
Além de dimensionar o panorama da violência nas arquibancadas e nos meios de comunicação, o estudo completo aborda os avanços e resistências culturais no futebol, incluindo o tabu persistente em torno do número 24 em competições de base, a retração nas manifestações institucionais dos clubes em datas alusivas à diversidade e as articulações em curso para a consolidação de marcos legais e legislativos de combate à discriminação no esporte.
O lançamento no Museu do Futebol corrobora a importância de preservar a memória das arquibancadas, transformando dados em ferramentas essenciais para a construção de um ambiente esportivo plural, seguro e democrático.








