Marcus Urban, pioneiro como o primeiro jogador de futebol profissional da Alemanha a se assumir publicamente gay, revelou um cenário preocupante que ainda persiste nos bastidores do futebol europeu. Em seu livro Mensch Fußballstar (Estrela Humana do Futebol), Urban expõe que muitos atletas LGBTQIA+ ainda sentem a necessidade de criar relacionamentos falsos, como namoradas ou até casamentos fictícios, para esconder sua sexualidade.

Apesar de a aceitação por parte da torcida e da mídia ter avançado, Urban destaca que o verdadeiro obstáculo para jogadores gays é o medo e a pressão vindos do próprio círculo íntimo e das estruturas que os cercam dentro do futebol. Segundo ele, muitos agentes, familiares e até advogados tentam desencorajar atletas a se revelarem, acreditando que isso poderia prejudicar suas carreiras e imagem pública.
“Ainda existem muitas pessoas ao redor dos jogadores que os aconselham contra o ‘sair do armário’ — pessoas que se aproveitam da fama e dinheiro dos atletas para projetar seus próprios medos e preocupações”, afirma Urban, que hoje é um defensor ativo dos direitos LGBTQIA+.
Casais gays no futebol: uma realidade oculta
Urban também revelou que há casais gays atuando em ligas importantes como a Bundesliga, na Alemanha, mas que permanecem no armário para preservar uma imagem heterossexual. Ele descreve o cenário como “muito bonito”, mas marcado por um esforço constante para manter a privacidade.
“Relacionamentos falsos são organizados, casamentos simulados são arranjados”, denuncia, apontando que algumas agências lucram até com essas encenações, mantendo os jogadores afastados da visibilidade e da liberdade de expressão afetiva.
O desafio da visibilidade coletiva
Em 2024, Marcus Urban e sua organização Diversero tentaram organizar um ‘outing’ coletivo no Dia Internacional contra a Homofobia, Bifobia, Intersexo e Transfobia, mas nenhum jogador aderiu. Para Urban, o medo e a falta de apoio institucional são barreiras que ainda impedem uma maior abertura.
“Os jogadores são repetidamente frustrados em seu desejo por liberdade”, lamenta, reforçando que o ambiente do futebol masculino ainda precisa evoluir para que a sexualidade seja encarada com a mesma naturalidade já conquistada no futebol feminino.
Um futuro de orgulho e liberdade
Marcus Urban sonha com um cenário em que atletas possam falar abertamente sobre suas vidas afetivas, filhos e parceiros, sem medo ou necessidade de esconder seus sentimentos. Para ele, a representatividade e a solidariedade são caminhos fundamentais para transformar a cultura do futebol e construir um ambiente verdadeiramente inclusivo para a comunidade LGBTQIA+.
Essa denúncia e reflexão são um chamado para que o esporte mais popular do mundo se torne um espaço de celebração da diversidade, onde cada jogador possa brilhar não apenas dentro das quatro linhas, mas também na autenticidade de sua identidade.
Fonte: Jogadores Gays Recorrem A Relacionamentos Falsos Para Esconder Sexualidade